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HISTÓRICO

A origem do município de Abaetetuba está relacionada com a história de Abaetetuba e Beja, que, a princípio, constituíam Vilas distintas; posteriormente, foram incorporadas e passaram a pertencer ao mesmo município.

Os frades capuchos de Santo Antônio, após fundarem o Convento do Una, em Belém, em 1617, passaram a percorrer as terras onde habitavam os índios remanescentes da tribo Mortiguar, e nesse território construíram uma aldeia com caráter de missão religiosa. O Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado denominou a nova aldeia de Samaúma. Tempos depois, a aldeia de Samaúma foi instalada como Freguesia, com o nome de São Miguel de Beja.

Os frades capuchos de Santo Antônio permaneceram na freguesia de São Miguel de Beja até 1653, sendo substituídos pelos padres jesuítas, inicialmente através do padre alemão Aluízio Conrado Pfeil, que já catequizava a tribo dos índios abaetés. Com a sua partida, substituiu-lhe o padre Antônio Ekel, que deu início à construção de um templo, concluído somente dois séculos depois, já em 1883, pelo padre Francisco Manoel Pimentel. Outro jesuíta de renome que por lá andou foi o padre João Felipe Bettendorf, autor da obra intitulada "História", que serve de base para o estudo do passado colonial do Estado do Pará.

A partir dos idos de 1804, a Freguesia São Miguel de Beja chegou a ter o seu Senado da Câmara, que era constituído por um juiz ordinário, o senhor Manoel Jorge Soares, e por cinco oficiais do Senado. Em 1805, quem passou a ocupar o cargo de juiz ordinário foi José Pereira de Lacerda, permanecendo como tal até o ano de 1822, quando, na realidade, foi criado o Corpo de Oficiais do Senado.

Em 1824, o Pará já estava integrado ao Império do Brasil, e o juiz constituído era o senhor Hermenegildo Francisco Melo. Em 1828, o Corpo de Oficiais do Senado foi extinto. Em 1833, em decorrência da decisão tomada pelo Governo Provincial, em dar uma nova organização municipal ao Pará (sessões de 10 a 17de maio daquele ano), extinguiu-se o Senado de Beja. Finalmente, no dia 30 de setembro de 1839, mediante a determinação do Presidente Bernardo de Souza Franco, a Freguesia de São Miguel de Beja perdeu a sua autonomia, tendo sido o seu território anexando ao da vila de Abaeté.

A vila de Abaeté, assim como Beja, fora fundada por religiosos. E era lá que também morava o português Francisco de Azevedo Monteiro, que ganhou do Governo uma Sesmaria, a sua escolha, na região do Baixo-Tocantins. Em 1745, Francisco Monteiro e sua família seguiram numa embarcação à procura de um lugar que lhe agradasse e servisse para o estabelecimento de sua Sesmaria. Antes de chegar a Beja, um temporal irrompeu, desviando-o da rota, conseguindo chegar a uma ponta de terra (jurumá), às margens do rio Maratanira, onde aportou e resolveu se radicar. Com a ajuda de seu pessoal e dos nativos, deu início à construção de uma capela, muito humilde, de taipa e barro, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição. Com o passar dos anos, não encontrou terras ricas em cravo - uma das "drogas do sertão" -; desiludido, Monteiro desistiu da Sesmaria e retornou a Belém com sua família.

Em 1773, algumas famílias vindas do Marajó acabaram por se instalar na antiga Sesmaria de Francisco Monteiro, dando início a um povoado. Entre elas, veio junto uma mulata de nome Mariana Brites, que se juntou a André Soares Muniz, natural de Beja. Dessa união nasceu uma menina, Tereza, que se casou com Manoel da Silva Raposo. Este, estimulado pela sogra, reconstruiu a capela de Nossa Senhora da Conceição. O trabalho de Manoel Raposo em prol do povoado, fez com que o Governo concedesse a ele a posse da Sesmaria, que, anos antes, havia sido abandonada por Francisco Monteiro. Próximo ao final de sua vida, Raposo acabou por doá-la à Mitra Diocesana.

Em 1797, atendendo aos apelos do padre Aluísio Conrado Pfeil junto ao Bispado, o povoado foi elevado à categoria de Freguesia, sob o orago de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté, subordinada, porém, ao território eclesiástico de Beja.

Com a Divisão Judiciária estabelecida pelo Governo Provincial, em maio de 1833, a vila de Abaeté foi anexada ao território da Capital do Estado, a cuja jurisdição pertencia originalmente. Em 1839, o território de Beja também passou a compor a área patrimonial de Abaeté.

Em 1844, Abaeté e Beja foram incorporados ao município de Igarapé-Miri, através da Lei nº de 118, de 11 de setembro.

Em 1877, através da Lei nº 885, de 16 de abril, voltou a integrar o patrimônio de Belém, até o ano de 1880, na qualidade de Freguesia.

Em 1883, o presidente da Província do Pará, José Araújo Danim, assinou a Lei nº 973, de 23 de março, elevando a freguesia de Abaeté à condição de Vila, criando, assim, o Município de Abaeté, ao qual passaram a pertencer, também, as terras da antiga freguesia de Beja.

A instalação da Câmara Municipal ocorreu no dia 7 de janeiro do ano seguinte, em Abaeté, muito embora Beja reivindicasse ser a sede municipal.

Com o advento da República, o Governo Provisório dissolveu a Câmara Municipal, através do Decreto nº 36, de 13 de fevereiro de 1890. Porém, na mesma data, o Decreto nº 37, criava o Conselho de Intendência Municipal, sendo presidido por José Honório Roberto Maués. Como o presidente não aceitasse a sua própria nomeação, foi substituído por José Benedito Ruiz, empossado a 17 de abril seguinte.

Em 1891, Ruiz foi obrigado a renunciar, sendo substituído pelo Capitão Manoel João Pinheiro. Indignado com o fato, Ruiz tentou impedir a posse do novo Intendente, todavia, sem êxito. Empossado o Capitão Pinheiro, a sua primeira medida foi pedir às autoridades a punição de Ruiz e de seus seguidores.

Em 1895, o Governador Lauro Sodré assinou a Lei nº 334, de 6 de julho, elevando Abaeté à categoria de Cidade, sendo instalada oficialmente no dia 15 de agosto do mesmo ano.

O surgimento de uma grave questão, acerca de que o Município não seria o legítimo proprietário das terras do seu principal distrito - uma vez que a área onde estava erigida a cidade de Abaeté pertencia à Diocese do Pará, doada por Manoel da Silva Raposo -, criava embaraços para as autoridades locais. Dessa maneira, em 1903, a Intendência de Abaeté abriu uma questão judicial contra a Mitra Diocesana; após os trâmites do processo judicial, os causídicos chegaram a um acordo, referendado pelas duas partes, no seguinte termo: a Diocese seria indenizada em dez contos de réis (moeda da época). No dia 13 de outubro de 1904, no cartório do tabelião Gama, foi lavrada a nova escritura, confirmando a posse das terras ao município de Abaeté.

Em 1930, o Governo Revolucionário, mediante o Decreto nº 6, de 4 de novembro, incorporou o território de Abaeté às terras do município de Igarapé-Miri. Todavia, quase (que) simultaneamente, pelo Decreto Estadual nº 78, de 27 de dezembro do mesmo ano, voltou a ganhar a sua autonomia municipal, sendo desmembrado de Igarapé-Miri.

Em 1943 sua toponomia foi alterada, passou a chamar-se de Abaetetuba, devido a Lei Federal que proibia a duplicata de topônimo de cidades e vilas brasileiras. Pelo mesmo decreto, que entrou em vigor a 1º de janeiro de 1944, foi a cidade erigida em comarca, desligando-se juridicamente, da comarca de Igarapé - Miri.

O primeiro jornal que surgiu em Abaetetuba foi "O Abaetense", editado por Garibaldi Parente. Tempos depois, o mesmo jornalista, editou "A Folha do Mato" e "O Colibri", que não duraram muito. Em 1904, apareceu "O Correio de Abaeté", editado por Aristides Reis e Silva, que era Intendente municipal e deputado estadual, que passou a ser órgão oficial da Intendência. Enquanto ele foi Intendente.

CULTURA

A principal manifestação religiosa do município de Abaetetuba é o Círio em homenagem à padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição. O seu culto constitui uma das mais antigas e fortes tradições do Município, com início datado de 1812. A festa tem início no final de novembro, com novenário e um animado arraial, que conta com a realização de leilão e a presença de barraquinhas com comidas e bebidas típicas; a procissão com destino à igreja Matriz sai no dia 8 de dezembro, a cada ano de um bairro diferente.

Outra festa religiosa importante no Município é a Festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, realizada no bairro do Algodoal. Os festejos, com novena e arraial, iniciam-se uma semana antes da procissão, que sai às ruas no dia 27 de julho, seguida de missa e do concurso de "bonecas" (meninas vestidas de bonecas), sendo que os recursos financeiros angariados são destinados às obras sociais da paróquia.

Além dessas importantes comemorações religiosas, cabe destacar, ainda, a festa em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, realizada do dia 1º ao dia 8 de setembro, cujos festejos são acompanhados de procissão, novenas e arraial. No dia do encerramento, são encenadas peças teatrais de caráter religioso.

Entre as manifestações culturais locais, destaca-se a Folia dos Reis, hoje bastante modificada, uma vez que "os instrumentos agora utilizados incluem os sopros e, na verdade, os brincantes não se constituem mais em grupos" (LOUREIRO, op. cit. p. 12), o que expressa a autenticidade e o tradicionalismo do Município.

Grupos de Bois-Bumbás, Pássaros e Quadrilhas, Carimbó e Pastorinhas, também compõem o universo das manifestações culturais do município de Abaetetuba.

O artesanato local é representado pelas seguintes modalidades: fabricação de embarcações, confecção de rendas, bordados, brinquedos (bonecos e bichos), bem como de peças fabricadas a partir da utilização de recursos naturais, como raízes, sementes e outros. A pintura e o desenho, além da escultura, completam o mosaico das mais diversas produções artesanais do Município.

A igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e a igreja de São Miguel de Beja constituem os principais monumentos históricos de Abaetetuba. Os equipamentos culturais, por sua vez, são representados por uma Biblioteca Pública, uma Casa da Cultura e um Cinema.

 

Contagem da População 2007 132.222
Área da unidade territorial (km²)

1.611

 

Geografia

Clima: Equatorial superúmido

Mesorregião: Nordeste paraense

Microrregião: Cametá

Altitude: 10 metros

Latitude: -01,4305 graus e decimais de graus

Longitude: -48,5257 graus e decimais de graus

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